quinta-feira, 13 de março de 2008

Cidades que falam

Quem visita uma cidade pela primeira vez encontra muitas surpresas, ruas pequenas, ruelas, ruinhas, casarões, casebres, sobrados. Barracos e mansões. Quem se propõe a conhecer uma cidade, dentro de si carrega a disposição de encontrar também o que não é tão desejável de ser contemplado. E por isso, antecipa soluções, prepara o olhar e o coração para o que pode encontrar. Ao mesmo tempo, é vital o desejo e a alegria de explorar e arriscar-se para encontrar o que é desconhecido.

Seja para encontrar o que se ama ou para uma simples e despretensiosa - considerando que isso seja possível - visita, ao chegar na cidade será inevitável perceber que há vida, há pessoas, costumes e que nem todos que habitam alí esperam sua visita. Há outros...

Pessoas são como cidades inteiras! Nelas encontro lugarejos, becos perigosos, crescimento desordenado. Mas encontro portões abertos, calçadas, crianças brincando na rua. Sol, luz, árvores férteis e generosidade. Encontro adubo para fecundar meus jardins, alegria para eternizar meus dias, flores para encantar minhas vielas.

Conheço algumas que são como Brasília, hora faz Sol, alguns minutos depois, muita chuva. Muitas fases, incosntância e confusão. Para ser mais precisa, indefinição. Mas um céu de beleza inexplicável, horizonte limpo e por do sol potencial para o finalzinho da tarde. Gente que um simples "pão de queijo com suco" faz do dia mais especial!

Algumas são como Fortaleza... Um imenso labirinto! As ruas são quadradinhos iguais e surpreendentes, em poucos minutos, surpresas, alegrias e engarrafamentos. Cada esquina é uma novidade. Cada conversa, uma descoberta! E quando menos se espera: Lá está ele, o mar. Tão imenso que dá vontade de ficar por lá. Pessoas de alma enlarguecida, beleza e essência que são característica de quem os fez. Não haveria outra explicação ou justificativa. As obras sempre carregam o que é próprio de seu autor. São "pessoas-cidades" que dá vontade de topar tudo só para estar perto delas, dentro delas!

Talvez não faça muito sentindo comparar pessoas a cidades, até porquê, como já escrevi aqui um dia, comparar-se é coisificar-se.

Mas observando bem, pessoas são como cidades, sim (risos)... Cidades que têm pernas, braços, coração e decisão, identidade. Cidades povoadas, desertas, abandonadas ou grandes metrópoles.

Abrem e fecham portas, entram e saem da minha cidade. Fazem história e marcam suas pisadas no solo da minha vida.

Cidades imprevisíveis! De algumas eu tenho o mapa, conheço quase todos os endereços e eventos. Sou capaz de sair da minha e me virar muito bem se para lá viajo. Mas nunca estarei isenta da surpresa. Mesmo trazendo em meu coração o buraco de cada pista, a cor de cada flor, as impressões, placas, sinais.

Sempre é um risco viajar para a cidade alheia... Abrir minhas portas para visitação, então!!!



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As maiores e duras quedas


Uma grande e fiel decisão


Só podem partir de um lugar


Vem coração…Renúncia, dor e alegria


Surpresa, perdão, euforia


Só podem partir de um lugar


Vem coração…Lidar consigo mesmo


É trabalho de artesão


Fio a fio e leva tempo


Pra dominar o coração


Capaz de sorrir, capaz de odiar


Destruir e recomeçar, recomeçar


O coração foi feito somente pra amar


Capaz de acolher, capaz de chorar


Se perder e reconciliar,reconciliar


O coração foi feito somente pra amar


Mais lindo encontro não há


Deus no coração de minh’alma


A nada se comparará


Esse encontro


De Coração e coração com Deus
- Ziza Fernandes -

8 comentários:

Caco disse...

Acho que se o Oscar Niemayer lesse isso ele se converteria... rs

ft disse...

Sempre é um risco viajar para a cidade alheia.

J. Sepúlveda disse...

Querida Narllinha,

Lindo, como sempre, o seu texto. E uma prova de que a similitude entre cidades e almas, cidades e pessoas é verdadeira.

Suas linhas são reflexo dessa bela cidade que é sua alma. Você soube tão bem exprimir o que se encontra numa cidade. Nós que lemos seu blog encontramos tantas dessas coisas em sua alma.

Só que a alma, ao contrário das cidades, não se esgota. A cada momento pode trazer coisas novas.

Um abraço e continue sempre assim.

Gisa disse...

Amiga!!!!

Amoooooooo muito suas palavras tanto faladas, cantadas e escrita. É difícil descobrir a cidade em que nós mesmo vivemos. Cada caminho é muito complexo pq muitas vezes não sabemos a onde exatamente onde queremos chegar. No entanto, todos os dias descobrimos um novo caminho dentro de nós. E vc é aquela amiga linda que me ajuda a achar o meu caminho. Eu te amo...

Murilo disse...

Lindo! Parece letra de música!

Pelirroja disse...

Amiga-anjinho.
Que texto maravilhoso.
Percorri um belo itinerário pelas esquinas, de cada palavra de seu texto.

Poxa, amiga. Acho que sou Brasília. Ou Paris!Hahaha. Mas você deu ares de Brasília!

Discordo da Gigi, às vezes achamos caminhos novos em nossa cidade, mas nos perdemos dentro de nós mesmos.

E o pão de queijo, Dona Narlla?
Ah, está se sentindo melhor, amiga?
Dê notícias!
Um beijão!
;*

Pelirroja disse...

Ai, amiga. Jornalismo não era para mim, não. Me sentia sufocada.
E depois, aconteceu algo muito chato e deparei com um jornalismo sem escrúpulos e ética. Mas outro dia, eu conto com calma.

;*

Luana Vaniele disse...

Menina das palavras bonitas...rsrs

O que dizer? Bom, vou recorrer as palavras de uma canção:
[...]É um corajoso arriscar-se esse amoroso ato de confiar. Deixar que cuides como quiseres, das pérolas que o meu coração lhe der[...]

Realmente, pessoas são como cidades: oferecem uma imensidão de oportunidades p/ se conhecer, encontrar abrigo e enfrentar desafios. O risco não é só de quem entra, mas tb de quem está sendo povoado. Só quem arrisca em entrar pode saber como realmente é por lá.

Só assim, podemos ver no outro, a possibilidade de tb sermos mais quem somos.

Amei esse seu blog. Pode me mandar mais exemplares, viu!?
Bjinhos
Shalom!!!