segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A máquina que lava roupas

Um domingo quente, ensolarado, quente... Hum... Muito quente! As circunstâncias da vida me levaram para a área de serviço da minha casa. Adivinhem? Lavar roupas! Na hora de recolhê-las eu pensava... "Minha nossa, como sou capaz de sujar tanta roupa?". Roupas minhas, da minha querida irmã e roupas nossas, também. Foi um domingo interessante...
Liguei o som bem alto e deixei Norah J. cantando enquanto eu me viarava com aquela estrutura metálica com uma tampa de acrílico que faz um barulho interessante enquanto sacode as roupas - a máquina que lava roupas!
A primeira constatação foi o fato de que, nunca na minha vida, eu tinha lavado tanta roupa de uma vez só. Teria que separar pelo tecido, pela quantidade e qualidade da sujeira, cores... Nessa parte eu me dei muito bem. Na hora dos botões [onde eu aperto pra ela começar a trabalhar?] eu tive que pedir ajuda aos universitários. Nada que uma ligação para quem entende não resolva. Ótimo... Deu certo.
Aquele instrumento é realmente fantástico! Joga água, sacode, esfrega e ainda faz a parte mais chata, torce até a última gotinha de água... O único trabalho é estendê-las. Acho que não dá pra fazer uma máquina que estenda roupas. Seria pedir demais... O cúmulo do ócio, rs.
Na partilha com o meu pai sobre o dia, ele me contou que a minha avó (mãe dele) caminhava de 5 a 6km para chegar até o riacho com as trouxas amarradas num jumento ou em cima da cabeça dela. Lavava todas na mão, esperava secar e trazia de volta...
Olha, sinceramente, eu não sei se teria tanta disposição para perder um dia inteiro sob o calor do sol esfregando roupas. Deus sabe o que faz, por isso, concedeu a idéia brilhante para alguém inventar uma máquina que lava roupas. Tenho até uma tia que diz que máquina de lavar roupas é pré-requisito nupcial, rs. [Filtremos os exageros, por favor].
Eu só sei que, enquanto a bendita máquina saracoteava as roupas eu cuidava de outras coisas na minha casa.
O interessante foi perceber o quanto é bom cuidar do que é nosso. É uma dimensão bem verdadeira. O fato de administrar, separar, sujar minhas mãos na massa do bolo que fiz [enquanto as roupas eram lavadas], limpar uma coisa aqui, outra alí e ouvir Norah cantar bem alto, me fez um bem muito bom (!). É bom cuidar do que é meu. Hoje, depois de pensar tanto nesse episódio simples e até tardio, eu acho que se eu vivesse no tempo em que não existiam máquinas que lavam roupas, eu perderia tempo, sim. Afinal, estaria cuidando de algo meu. E a partir do fundamento empírico que se deu no domingo, eu posso afirmar que isso faz bem!

Cuide, você também, do que é seu.
Algumas coisas só nós podemos fazer por quem amamos, cuidar é um exemplo.

Shalom!

3 comentários:

Paulo disse...

Muito legal o texto. Me fez pensar... primeiro, antes de cuidar do que é meu, tenho que aprender a cuidar de mim. Preciso bater, sacudir, enxaguar, torcer, pra ver se sai até a última gotinha de mundo, que no meu caso, "mundano" mesmo, me faz muito mal.

disse...

Que dotes hein? Cozinha e lava ao mesmo tempo! Da próxima vez quero um pedaço do bolo.... Já lavar roupas... Risos....
Brincadeirinhas a parte é muito bom quando fazemos algo, o que for, sem murmurar, ao contrário. Em cada momento de nossa vida seja o que estivermos fazendo o bom é aproveitar e louvar nosso Senhor Jesus Cristo, e partilhar com nossos amados os gestos mais simples, que às vezes soam como obrigação, ou que talvez ninguém perceba tão nobre gesto... Mas, apesar disso, ter no coração a certeza que a vida vivida com fraternidade e amor nos faz superar até mesmos obstáculos como lavar roupas, mesmo que a máquina faça quase tudo, mesnos estendê-las no varal.
Ah, só reforçando, da próxima vez que fizer um bolo, lavando roupas ou não, partilha um pedaço?
Beijos, Letícia :)***

Socrates... disse...

Sim, é peculiar lidarmos com o tempo e as facilidades da modernidade que temos acesso. Mas uma coisa eu imaginei enquanto lia o relato do testemunho de seu pai, acerca do caminho e esforço que fazia sua avó. Eu imaginei que enquanto as roupas secavam eu poderia tomar um excelente banho neste rio de águas geladas e límpidas. Hum... que delícia, e neste calor então... Meu Deus... cairia muito bem...