quinta-feira, 12 de março de 2009

Um inverno rigoroso

Frio de bater os queixos, de deixar a ponta dos dedos arroxeada. Frio de torcer os braços contra o peito, frio que assusta, frio saudoso, frio solitário, frio confiante.E enquanto as gotas da chuva caem sobre o solo, levando vida às raízes, um olhar de esperança é lançado em direção às nuvens que cobrem o sol. Olhar que, por diversas vezes, é estimulado para outros cantos, outras direções. Olhar que outrora fora encantado por belíssimas flores, cores e canções. Olhar que viu a beleza desse Sol, olhar que também contemplou o cansaço de um plantio em terras secas, ambiente insólito e quente.

Esperança sempre viva, vida sempre nova a nos fazer crescer...¹

E os ventos vieram para levar o que não precisava ficar para ser. Ventos que levaram o peso, o excesso. Vento que trancou as pálpebras cansadas pela luminosidade da estação passada. Bentido vento que levou o que estava seco e também o que era verde, mas infértil.
Vento que roubou coragem, mas que deixou decisão.
E os olhos contemplaram a permanência de uma raíz. A firmeza de tal não imaginava que sem demora chegaria o tempo das chuvas.
O tempo chegou e com ele, a oportunidade. A necessidade do movimento da vontade, a conformidade, a decisão em dar os passos sem ver o Sol, a renúncia ao calor, o frio por decisão. A mística da dor e da alegria, cruz e ressurreição.O frio que aparta, une abraços, separa e casa os grãos, os pedaços. Frio que me ensina a precisar de Deus, dos outros. Frio que me leva ao silêncio quando o barulho dos trovões me assusta.

"Ó, água que fere a rocha... muda a dureza em amor..."²

Um inverno gelado, um caminho de descida, abaixar-se, um caminho preciso, uma etapa que antecede uma vitória, nova primavera. A estação das chuvas, a minha estação.
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[1] - Outono: Espetáculo Estações - Comunidade Católica Shalom.
[2] - Inverno: Espetáculo Estações - Comunidade Católica Shalom.
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4 comentários:

Lanier Rosa disse...

Narllinha, entra no meu blog, fiz divulgação do seu... prossiga a divulgação. bjus
http://meiocancaomeiopoesia.blogspot.com/

disse...

"O tempo chegou e com ele, a oportunidade. A necessidade do movimento da vontade, a conformidade, a decisão em dar os passos sem ver o Sol, a renúncia ao calor, o frio por decisão. A mística da dor e da alegria, cruz e ressurreição.O frio que aparta, une abraços, separa e casa os grãos, os pedaços. Frio que me ensina a precisar de Deus, dos outros. Frio que me leva ao silêncio quando o barulho dos trovões me assusta".
Nossa, gostei muito da finalização de seu texto, creio que sintetiza bem, em palavras, o que eu e muitos estão vivendo. É um tempo de incertezas, perpassando (e tem que ser assim)por Aquele que está sempre certo, por mais que descubramos isso só depois....
Beijos :)*** Letícia

Francis disse...

Mistério de amor...

Sofrimento que gera vida, alegria que precisa ser compartida.

Arte a serviço da evangelização!

Nosso coração que se encontra com a VERDADE, e diante dela, suave, se entrega, se rende.

Obrigado pelo dom da sua vida e por saber tão bem expressar sentimentos, vivência. Obrigado por colocar a disposição de Deus seu dom tão precioso e por multiplicar-lo.

"Deus quer santos de calça jeans, que tomem Coca-Cola", e que escrevam em blogs.

Nunca deixe de comunicar sua experiência com o Amigo Vivo, presente e real em sua vida.

Saludos de um amigo,

Shalom,

Francis

Paulo Chaves disse...

Não é possível viver a Páscoa sem passar por todas as etapas, os aplausos, o desprezo, a perseguição, a agonia, a traição, flagelação, morte e ressurreição. O Destino só tem sentido depois do caminho que leva até ele, do contrário seu valor permanece velado e o perdemos como se sem valor fosse.
Prefiro as dores, o inverno, a todas as consolações, elas me consolam mais que as próprias consolações.
Pelo sinal da Santa Cruz, livrai-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos.
Jesus esteja em sua alma