domingo, 17 de janeiro de 2010

O tempo, meu amigo em 2010

Escrevi este texto em dezembro de 2008. Deus atualiza em mim a confiança, a esperança e vem me convidar a tomar novamente o tempo como meu amigo

---

O tempo, meu amigo

Quantas vezes eu já ouvi falar em "tempo de Deus", "espera", "purificação"... Nomes, nomenclaturas, falas, dizeres. Conceitos para incentivar a abertura do meu coração diante do processo necessário - por tantas vezes inexplicado, sem o selo de validade - para que as construções dEle se fizessem reais no meu canteiro.
Tantas vezes acolhi o "tempo de Deus" como aquele que é alheio ao meu, distante, sempre diferente e, de tão distante, até prejudicial a mim.
Minha vida e o "tempo de Deus". O tempo de Deus, sem as aspas, e o meu tempo. O tempo dEle é o meu tempo. Não o tempo que escolhi para viver, o tempo que calculei, planejei, medi. Não. O tempo dEle é o tempo mais oportuno para mim. O tempo dEle, e meu também, é fator expressivo na construção da eternidade em mim. É o nosso tempo, o meu e o de Deus, porque Ele quer assim. É o meu tempo, porque este é submetido ao Amor dEle. Bendito tempo que proporciona a cura das feridas, o mapeamento do ambiente, a preparação da massa, a seleção dos tijolos.
O tempo que permite o olhar sobre as antigas construções, o tempo que - na destruição do velho - prepara, às vezes sem a minha permissão ou conhecimento, para o novo. O tempo que sugere a espera, espera que enlarguece, faz parar, faz partir, faz chorar e faz sorrir. A espera que nutre a esperança. A espera que movimenta meus passos em direção ao Mestre das Obras. Afinal, a Obra é do Alvener, mas é desejo dEle que eu suje as mãos, os pés e finalmente, o corpo todo. Não associando o verbo sujar a uma conotação negativa, mas sujar-se, envolver-se, tornar-me parte, uma coisa só. Ele quis assim, Ele quer assim. Quis tantas vezes que eu mesma ferisse a rocha para lá construir o que Lhe aprouvesse. Outras vezes, sob a ação do tempo, Ele mesmo, em ato de profundo amor, tornou mais profunda a fenda da rocha. Rocha tão bela, tão rude, tão fecunda. Rocha que recebe vida, a minha vida. Rocha que guarda exigências, sinais, profecias, respostas.

Sim, Senhor... O Teu tempo é o tempo meu. Tempo que me ajuda a olhar diferente, a amar diferente, a esperar diferente, a esperar por Ti e em Ti, somente. Neste tempo, neste amor, eu abraço as exigências e bênçãos que o Teu amor deseja nos dar.
Porque Tu és sempre sim. Mais uma vez, obrigada, Senhor.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Pedro e Gianna: Saudade

“Pedro caríssimo, desejaria que me sentisses muito próxima nestes dias, porque não podes imaginar o que sinto ao saber-te em viagem e tão longe. Dirás: Que exagero. Mas é mesmo assim. Sabes, meu Pedro, sinto-me agora uma alma e um coração contigo. As tuas alegrias são também as minhas e assim, tudo o que te preocupa e faz sofrer, preocupa-me e faz-me sofrer também. Quando penso em nosso grande amor mútuo, não faço senão agradecer ao Senhor. É realmente verdade que o amor é o sentimento mais belo que o Senhor pôs na alma dos homens. E nós sempre nos quereremos bem, como agora, Pedro... Se te dá prazer, pensa que na próxima viagem irei contigo e dir-te-ei com a voz, tantas e tantas vezes, até te cansar, que és toda a minha vida.” Santa Gianna Beretta Molla

---
RIESE, Fernando da. Por amor da vida: Gianna Beretta Molla, médica e mãe. Tradução de Manuel Alves da Silva. São Paulo: Editora Salesiana,1987. 119 p.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sim, é felicidade verdadeira quando o amor descobre sua essência no ato de abaixar-se, no mesmo trajeto que Jesus fez. É felicidade profunda, mesmo numa dor aguda, no questionamento silencioso de José, na oferta da Virgem Maria, no pecado de Madalena ou na espera de Isabel. Quero eu esperar um pouco mais até que o outro chegue, para que eu não caminhe sozinha. Quero também ser esperada, pois caminho a passos lentos e por vezes preciso de auxílio. Sim, é verdade libertadora escolher por um caminho errado e depois optar pelo Caminho. É respiração tão profunda, que desce quase no ventre, poder apresentar a Ele o meu coração, meu desejo de voltar e ter a certeza de que para Deus, eu sou muito mais do que aparento ser, muito mais do que uma escolha, muito mais do que uma marca. Deus me ama inteiramente, no passado, no presente e na feliz resposta de construir um futuro santo, um futuro feliz.

"Se compreenderdes estas coisas, sereis felizes,
sob condição de as praticardes. " Jo 13,17

Ah, se houvesse em mim tamanha fidelidade que me desse condições de responder, sempre no amor, na verdade, na precisão. Ah, se houvesse no meu coração humildade para acolher com serenidade os meus erros e, deste modo, contar com a graça e a misericórdia – elementos fundamentais para quem é chamado a uma vida consagrada, separada para Ele. Mas aqui dentro fala um coração humano, tão humano que, mesmo após a marca da perfeição de Deus, é imperfeito. Quer ser divino, mas oscila nos desejos velhos, nas confusões, numa decisão, escolha errada. Um coração que deseja se configurar ao coração do Mestre, mas precisa aprender tanta coisa... Um coração de discípula, que insiste em fazer, mesmo sendo chamado primeiro a ser. Um coração sedento, teimoso, cansado, medroso. Um coração de mulher, de missionária, de consagrada...
Sim, é alegria profunda ter esse coração nas mãos e decidir a quem entregá-lo. É experiência de amor autêntico contemplar as feridas, os enganos, os desencontros que esse meu coração me sugere que eu viva e achar referência na vida de Jesus, nas respostas dEle, no coração dEle.
Esse é o meu coração, é o meu amor.

Sossega, coração. Sossega, alma minha.

O Senhor está no comando e também tem um coração.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Canção do amor que chegou

Vinícius de Moraes

Eu não sei, não sei dizer
Mas de repente essa alegria em mim
Alegria de viver
Que alegria de viver
E de ver tanta luz, tanto azul!
Quem jamais poderia supor
Que de um mundo que era tão triste e sem cor
Brotaria essa flor inocente
Chegaria esse amor de repente
E o que era somente um vazio sem fim
Se encheria de cores assim

Coração, põe-te a cantar
Canta o poema da primavera em flor
É o amor, o amor chegou
Chegou enfim

terça-feira, 3 de novembro de 2009

"Só quem ama se abaixa" - Halleluya Londres



Onde Deus quer, do jeito que Ele quer e como Ele quer... Em inglês ou em qualquer outra língua.
Confiram os vídeos do Halleluya Londres, realizado no dia 31 de outubro, com Eugênio Jorge e Cristiano Pinheiro (missionário Shalom em Roma), Amanda Pinheiro (França), Ricardo Bezerra (Roma), Camilo Bessoni (Bouremouth-UK) e Rafael D'Aqui.


Shalom!

domingo, 25 de outubro de 2009

Santa Gianna me ensina...


Do livro "A santa moderna - Gianna Beretta Molla", de Hilário Cristofolini.

Sobre o primeiro encontro de Gianna e Pedro, escreveu Pedro em seu diário:

"'Sinto a serena tranquilidade que me dá a certeza de ter tido ontem um bom encontro. Nossa Senhora Imaculada me abençoou.'[...]

O namoro que precedeu o casamento durou sete meses. Nesse período, Gianna escreveu 11 cartas a Pedro. Nelas transparece a grande felicidade de ambos que vivem o amor recíproco e se preparam para formar uma família. São cartas de uma namorada a alguém que reconhece o homem de sua vida. Não são diferentes das que milhares de namoradas escrevem a seus namorados.
Várias delas (cartas) refletem sua vontade de estar sempre ao lado do namorado que, a serviço da fábrica, viaja muito pela Europa e América do Norte. Então, escreve para diminuir a saudade.
Analisando esta correspondência, conclui Élio Guerriero: ‘O amor de Gianna e Pedro, visando o matrimônio, não exclui o namoro e a paixão, a atração e a vontade de doação total...’
Além das cartas do período do namoro, escreveu a Pedro outras 62, durante os sete anos que durou o casamento. [...]
Gianna fazia uso da comunicação escrita através das cartas. Nelas se nota uma namorada cheia de desejos e de expectativa, mas igual a tantas outras. [...] Em suas cartas, juntamente com as palavras de afeto ardente, notam-se expressões claras que refletem sua fé e esperança na ajuda de Deus.

11 de março de 1955
Pedro, se pudesse te dizer tudo o que sinto por ti! Mas não sou capaz. Subentenda. Deus realmente me quer bem: és, de fato, o homem que eu queria encontrar, mas não nego que mais de uma vez me pergunto: Será que sou digna dele?
Sim, Pedro, digna de ti, porque não sou capaz de fazer nada a não ser querer fazer-te feliz, e tenho medo de não conseguir.
Então, rezo a Deus: Senhor, tu conheces meus sentimentos e sabes de minha boa vontade. Dá um jeito e me ajuda a tornar-me uma esposa e mãe do jeito que Te agrada e, assim, agradarei a Pedro.

Gianna era feliz e ‘ser feliz – disse Raul Folleeau – é fazer os outros felizes’. E pela mesma intenção de fazê-la feliz, também Pedro era feliz e anotou em seu diário: ‘Quanto mais conheço Gianna, mais me convenço que melhor encontro que esse , Deus não poderia marcar’."

Santa Gianna Beretta Molla, rogai por nós.
Shalom!